Esta página é dedicada a fatos pitorescos ou cômicos, envolvendo Defensores e Defensoras Públicas, além de outros personagens que compõem o cotidiano do Fórum, cenário por onde circulam tristezas, rancores, esperanças, amores, alegrias e, porque não, também acontecimentos engraçados, inusitados, tudo a revelar que o Fórum, mais do que um prédio no qual estão instalados Órgãos Judiciários, Defensorias Públicas, Promotorias de Justiça, Cartórios etc...é um grande Palco, onde a Vida desfila e os seus protagonistas circulam representando o seu papel. É uma página que pretende ser distraída e curiosa. Se você quiser enriquece-la, envie a sua contribuição para jfonte@terra.com.br. Por razões de privacidade, proteção do nome e da imagem, o titular do site se reserva o direito de recusar a contribuição e/ou de edita-la, com as reservas legais.

 

ACONTECE CADA UMA!

Esta aconteceu comigo mesmo. Meados de 80, eu era titular do Núcleo Central que, então, estava instalado no térreo do prédio do Primeiro Tribunal do Júri, na Rua D. Manuel. O atendimento, médio, era de, mais ou menos, 100 pessoas/dia. Dava conta do recado, coma valiosa colaboração de um excelente quadro de Estagiários. Certo dia foi-me encaminhada uma senhora, em busca de solução para o seu problema que se resumia em dar andamento a uma ação de investigação de paternidade cumulada com alimentos. O réu, segundo ela, a abandonara, com o filho no colo, para fazer a vida, como advogado, na Bahia, onde já era Juiz de Direito. Essa figuraça era de porte alto, com cabelo exageradamente oxigenado, que fazia lembrar uma espiga de milho, empastada de ruge e batom, que passava dos traços labiais, sempre vestida de preto, enormes brincos e cílios postiços, revirados, quase tocando a testa com as pontas. Dizia-se amiga de Roberto Carlos e vencedora de concurso de beleza, posuda e abusada, fazia parecer ter grande intimidade com o Defensor. Feito o levantamento das informações e localizado o suposto pai, realmente Juiz de Direito em Comarca do interior daquele Estado, expedi ofício informando o andamento do feito e a necessidade de comparecer à audiência que estava marcada. O ofício foi respondido, rapidamente, com a promessa de comparecimento. Passaram-se dias, até que a interessada voltou ao Núcleo para saber se o ofício havia sido respondido quando, então, lhe dei conta da resposta entregando-lhe o ofício para que ela o levasse ao Defensor Público que funcionava no processo. Sala apinhada de gente, dezenas de estagiários, eu sentado à mesa de trabalho, a senhora esgueirou-se entre a patuleia e, a meio caminho, virou-se em minha direção, alardeando, em alta voz: - "Dr. Fontenelle, deixe o processo de lado porque eu descobri que o pai do meu filho é o senhor", e nunca mais voltou!